Em 5 de agosto de 1888, Bertha Benz, esposa de Karl Benz, embarcou em uma jornada histórica que revolucionaria o mundo automotivo. Sem o conhecimento do marido, ela partiu de Mannheim com seus dois filhos, Eugen e Richard, a bordo de um Patent Motorwagen Modelo III, rumo à cidade de Pforzheim, a 60 km de distância.
Mais do que um simples trajeto
A viagem de Bertha Benz foi um ato de audácia e determinação. Ela enfrentou diversos desafios:
- Infraestrutura precária: Postos de gasolina ainda não existiam, então ela improvisou, reabastecendo o carro com ligasina em farmácias pelo caminho.
- Problemas mecânicos: O carro era um protótipo e apresentou falhas durante o trajeto, que Bertha consertou com a ajuda de seus filhos e ferramentas que levava consigo.
- Ceticismo do público: As pessoas nunca tinham visto um carro antes e muitas reagiram com curiosidade, ceticismo ou até hostilidade.
Apesar dos obstáculos, Bertha Benz perseverou e chegou em Pforzheim no final do dia, completando com sucesso o primeiro trajeto de longa distância em um carro a combustão interna da história. Sua jornada não apenas demonstrou a viabilidade do automóvel inventado por Karl Benz, mas também inspirou futuras gerações de mulheres a desafiar limites e perseguir seus sonhos.

Quais foram os fatores que auxiliaram o sucesso da Senhora Bertha Benz?
- Motivação: Ela acreditava no potencial do carro a combustão interna e queria provar sua viabilidade ao público.
- Planejamento: Ela planejou meticulosamente a rota, mapeando locais onde poderia encontrar ligasina e ferramentas para reparos.
E quais foram as consequências desse grande passo?
- Impacto: Essa viagem gerou grande repercussão na mídia, impulsionando a popularização do automóvel e consolidando a reputação da empresa de Karl Benz.
- Legado: Bertha Benz é considerada uma pioneira da indústria automotiva e um símbolo de inovação, determinação e espírito empreendedor.
115 anos depois

O modelo de automóvel baseado em motores térmicos, evoluiu ao longo de 115 anos e segue evoluindo, mas até o presente momento encontra uma barreira de “eficiência”, abaixo de 50% significando na prática que cada litro de combustível que vira energia, outro litro vira apenas fumaça sem gerar energia.
Na busca por motores mais eficientes, esbarramos em uma criação dos anos 1830, o motor elétrico, que ao longo de décadas encontrou barreiras tecnológicas na construção de baterias com vida útil e autonomia suficiente para viabilizar em larga escala o uso dessa modalidade de transporte.
As pesquisas científicas descobriram novos materiais para gerar baterias cada vez melhores em vida útil e autonomia, mas com um elevado custo ambiental, portanto seguem ainda buscando novas alternativas com baixo custo ambiental, como as promissoras baterias de íon de sódio, que começam a entrar em produção comercial.
Ao longo desses 115 anos, surgiram e desapareceram diversas empresas ao redor do planeta, com promessas de construir um carro elétrico viável. Em 2003 a Tesla conseguiu gerar a disrupção no mercado, apresentando um modelo de automóvel que aliava baterias de longa duração e autonomia, com tecnologia embarcada que vem evoluindo para modelos de direção autônoma (assunto para um artigo futuro).
A disrupção no mercado foi grande a ponto de fazer com que outras montadoras aderissem à estratégia de pesquisas e construção de seus carros elétricos, mas enfrentando uma grande dificuldade. Essas empresas centenárias, se desenvolveram construindo “hardware”, mesmo os mais refinados com tecnologia embarcada, enquanto que a Tesla se desenvolveu construindo o software que é aplicado em um hardware que ela também desenvolve. Essa diferença de foco é um fator importante.
Já os clientes, desde os primeiros, se vêem repetindo os passos inicias da Sra Bertha Benz, dirigindo seus carros com motivação, que pode ser ambiental, política, eficiência ou meramente inovação. Também necessitam planejamento, posto que a capilaridade que se conseguiu em 115 anos para a distribuição de postos de combustível é uma história que se repete, com a distribuição de eletropostos e tecnologias de recarga cada vez mais potentes.
Uma viagem precisa ser planejada, onde tem carregadores, qual a “velocidade” desses carregadores, qual a autonomia da bateria, qual a contingência para o caso de um carregador estar indisponível. São algumas perguntas que se faz ao planejar uma viagem com o carro elétrico. Preocupações que são minimizadas no carro dos veiculos a combustão pelo “senso comum” de que ha um posto de combustível a cada 10 quarteirões.
Igualmente essas pessoas estão causando um impacto e criando um legado para futuras gerações. Cada vez mais e mais são implantados eletropostos, leis são criadas como uma recente em Portugal que estabelece a necessidade de um eletroposto a cada 60km, a vasta rede de carregadores super rápidos criada nos EUA pela Tesla e até mesmo aqui no Brasil com hubs sendo criados em locais estratégicos, empresas iniciando o uso de caminhões elétricos e muito mais que veremos nos próximos anos.
Recursos adicionais:
- Museu Mercedes-Benz: https://www.mercedes-benz.com/en/art-and-culture/museum/
- Bertha Benz Memorial Route: https://www.germany.travel/en/nature-outdoor-activities/bertha-benz-memorial-route.html
- Livro “Bertha Benz: Uma Mulher à Frente de Seu Tempo”: https://group.mercedes-benz.com/company/tradition/founders-pioneers/bertha-benz.html
- Eletropostos a cada 60km Em 2026, autoestradas da UE terão um posto de carregamento de carros elétricos a cada 60 km | Euronews
- Inauguração de Hub para recarga de carros e caminhões elétricos Cluster de recargas ⚡️GO ELECTRIC ⚡️! Caminhando na expansão de Eletropostos de recargas para veículos elétricos! Estamos prontos ! | Instagram
