São Paulo a Montevidéu
de carro elétrico
Rota completa, pontos de recarga, apps que funcionam (e os que travam) e tudo o que aprendi em três dias de estrada até o Uruguai.
Jundiaí → MVD
da viagem
predominante
utilizado
Viajar de carro elétrico do interior de São Paulo até Montevidéu é possível, confortável e surpreendentemente tranquilo — desde que você planeje direito. Este relato cobre cada trecho do percurso com detalhes que um post genérico não te dá: qual carregador estava com problema, qual posto vale desviar, qual app travar antes de sair do Brasil e o que fazer quando o app da UTE simplesmente não funciona.
Ferramentas que usei ao longo de toda a viagem
Antes de falar de quilômetros, uma coisa precisa ficar clara: a viagem é tão boa quanto o planejamento. Usei quatro ferramentas em paralelo, cada uma com uma função específica.
Planejador de rota configurado com o modelo do carro. Calculou cada parada de recarga considerando estado de carga, consumo real e elevação.
Validação dos pontos de recarga com avaliações recentes de outros usuários. Fundamental para saber se o carregador está funcionando agora.
GVGO, CELESC, Shell — todos instalados, com cartão cadastrado e saldo disponível. No Uruguai: UTE Mueve (Android) ou UTE Mueve (iOS).
Navegação de rua a rua. Exportei as paradas do PlugShare direto para o Maps, o que facilitou bastante para não precisar alternar entre apps enquanto dirigia.
Antes de sair: o que preparar
Documentação obrigatória
- RG ou Passaporte — original. O app da CNH não é aceito na fronteira.
- CNH válida — original físico, não digital.
- Carta Verde — seguro obrigatório para circular no Uruguai. Achei por R$ 28 com desconto na Porto Seguro, mas pode variar.
- Documento do veículo — cópia física do CRLV em seu nome ou de quem está viajando.
- Kit de segurança — kit de primeiros socorros, 2 triângulos e colete luminoso.
Pagamentos e pedágios
- Cartão internacional habilitado — e com pagamento internacional desbloqueado no app do banco.
- Telepeaje cadastrado antes de sair — acesse telepeaje.com.uy e cadastre placa e cartão. Pagar pela placa é mais simples do que comprar tag física na fronteira.
- Apps de recarga com saldo — não deixe para testar na beira da estrada.
A primeira parada planejada era no Ongaratto 500, mas o carregador estava instável naquele período. Fui direto para o O Fazendeiro — e já era outra coisa: trocaram os carregadores WEG de 30kW por equipamentos GVGO. Agora tem um de 150kW (com saída exclusiva para Porsche e outra compartilhada), um de 30kW e três de 7kW. Para usar, é preciso instalar o app GVGO.
No trecho seguinte, vi um carregador disponível 5 km antes do Pelanda IV, no Posto Estrela da Serra. Tentei usar — estava entregando apenas 18kW. Não valeu a pena, parei, segui o plano e os 5 km extras me levaram ao carregador de 30kW funcionando normalmente. Comi algo, tomei um café e deixei carregar um pouco além do necessário.
A descida da serra surpreendeu positivamente: o carro calculava que eu chegaria num ponto com 85–90 km de autonomia, mas a frenagem regenerativa e trechos longos sem consumo fizeram chegar com 120 km. Quarenta quilômetros a mais do que o planejado — exatamente o tipo de coisa que um EV faz melhor do que qualquer carro a combustão em descidas longas.
A dica da minha irmã foi certeira: o Sinuelo em Araquari é um posto excelente, limpo e organizado. Carregou a 42kW enquanto eu aproveitava o ambiente. De lá, peguei congestionamento do pessoal indo para o litoral de SC e cheguei no hotel em Florianópolis às 22h45. O carregador estava disponível, pluguei e fui dormir com o carro indo a 100%.
Em Criciúma optei por um carregador no centro da cidade em vez do ponto planejado. Não foi a melhor decisão — localização complicada, tempo perdido. Anote para a sua viagem: na dúvida, siga o plano do ABRP.
Porto Alegre foi no Castelo Charge: chegamos com apenas 80 km de autonomia e pegamos um carregador de 80kW. Carregamos até 95% e seguimos para Pelotas. Ao final do dia 2, o odômetro marcava 1.424 km rodados desde Jundiaí, com 20h44 de direção acumulada.
No hotel em Pelotas, uma conversa com o Rodolfo — que já tinha feito esse caminho — mudou o plano: a sugestão era entrar no Uruguai pelo Chuí, que tem um trecho de estrada mais bonito e menos movimento. Ajustei a rota para o dia seguinte.
O trecho pelo Chuí foi a decisão certa. A natureza no caminho compensa bem a diferença de distância, e a travessia da fronteira foi rápida: menos de 15 minutos sem filas ou burocracia estranha.
Lá pelos 200 km de estrada uruguaia, parei num posto com carregamento gratuito na Rota Mercosul. O lugar é simples, mas o carregador funcionou. Segui até o primeiro pedágio — onde aprendi que a fila para comprar tag do Telepeaje pode levar mais tempo do que parece. Quem não fez o cadastro online esperou muito mais. Cadastrei minha placa presencialmente, paguei antecipado pelo trajeto todo (~R$ 300) e segui.
Domingo à tarde + estrada para Montevidéu = congestionamento digno de São Paulo. Chegamos ao hotel depois de quase 30 horas na estrada desde Jundiaí, com 1.980 km no odômetro. Pluguei o carro no estacionamento do hotel, mais caro, mas com menos risco, e fui dormir.
“Chegamos com quase 30 horas de estrada e 1.980 km rodados. O carro foi ao estacionamento, eu fui dormir.”
Infraestrutura de recarga no Uruguai
Pontos positivos
- Rede relativamente densa para o tamanho do país
- Muitos carregadores rápidos, bem localizados
- UTE (estatal de energia) opera a maioria
- Comunidade de EV colaborativa — ajuda entre motoristas
- eOne e outras redes crescendo
Atenção antes de ir
- Cadastro prévio no UTE Mueve obrigatório
- Testar pagamento antes de sair do Brasil
- Nem todos os cartões funcionam no app
- Suporte da UTE só pessoalmente em Montevidéu
No meu caso, o app da UTE travou. Tive que ir pessoalmente a um escritório da UTE no centro de Montevidéu — levei passaporte, documento do carro e expliquei a situação mostrando os erros. Me forneceram um cartão RFID para usar até o dia do meu retorno. Funcionou bem, mas a fatura chegou depois que eu já estava no Brasil, e quase não consegui pagar — só resolvi porque um conhecido viajou ao Uruguai e pagou presencialmente. Não repita esse caminho.
Circulando pelo Uruguai
Montevidéu tem bastante para ver: museus, mercados, os letreiros famosos da cidade, bairros com visual bonito e uma orla tranquila. Mas o que ficou na memória mesmo foram duas excursões a partir da capital.
Colônia del Sacramento merece pelo menos uma noite — é uma cidade histórica com pedras portuguesas nas ruas, som das ondas e pousadas bem cuidadas. Tranquilidade real. De lá, chegamos a pensar em pegar o Buquebus com o carro até Buenos Aires (sim, dá para embarcar com o carro e cruzar em 1 hora), mas era fim de ano e resolvemos não arriscar.
Punta del Este é o oposto: movimentada, praias largas, restaurantes bons. Fomos até a Encruzilhada dos 4 Mares — um ponto onde pintaram uma rosa dos ventos no chão e de cada lado da rua você enxerga o oceano. No porto, vimos leões marinhos. No almoço, sushi fresco. Difícil reclamar.
A volta
Voltamos pelo Jaguarão — ao contrário do Chuí, trecho sem tanto charme, mas funcional. Pernoitamos em Pelotas no recém-inaugurado Ibis Pelotas, que ficou ótimo, e pela manhã recarreguei na UVEL, uma concessionária Chevrolet que tinha carregador disponível. Aproveitei para ver de perto alguns modelos elétricos que estavam no showroom.
O único problema do retorno foi depois do Paraná, já em São Paulo: falta de eletroposto. A solução foi parar nO Fazendeiro, onde encontramos uma fila de 3 carros aguardando. Dois motoristas quiseram ir a 100% e ficaram mais tempo. Fui até 85%, liberei a vaga mais rápido e seguimos. Pequena cortesia coletiva que todo motorista de EV aprende na estrada.
Boas práticas para viagens longas de EV
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Carregue até 80–90%, não até 100% — a carga fica mais lenta acima de 80% e você libera a vaga mais rápido para quem está esperando. Reserve o 100% para a saída do hotel de manhã.
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Paradas mais curtas e frequentes — 30 minutos em DC rápido rendem mais do que uma parada de 1 hora. Aproveite para comer, ir ao banheiro e checar a próxima etapa.
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Sempre tenha Plano B e C — marque opções alternativas no PlugShare antes de cada trecho. Carregador com problema na estrada não é raro; não dependa de um único ponto.
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Verifique avaliações recentes no PlugShare — e faça check-in quando carregar. A rede funciona porque as pessoas colaboram. Se o carregador estava com problema, registre.
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Não espere chegar no limite — chegue às recargas com 15–20% de carga. O ideal é rodar entre 10% e 80%, não forçar a bateria nos extremos.
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Redes sociais são parte da infraestrutura — foi num grupo de WhatsApp de donos de Ora no Uruguai que conheci o Rey, que pagou minha primeira recarga no país quando o app travou. A comunidade de EV na América do Sul é pequena e muito prestativa.
Perguntas frequentes
A viagem é viável. O planejamento é o carro.
Cada etapa dessa rota já foi feita com elétrico. A infraestrutura não é perfeita, mas é suficiente — e melhora a cada ano. Se você pretende fazer esse percurso ou já fez algo parecido, deixe um comentário. Posso ajudar a ajustar o planejamento para o seu modelo de veículo.
Post baseado em experiência real de viagem realizada em dezembro de 2025, com atualizações em março de 2026. Informações sobre carregadores, apps e preços podem mudar. Sempre valide no PlugShare antes de partir.
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